“Os homens quando acabam uma relação saem à noite com os amigos, apanham bebedeiras de caixão à cova e põem-se logo a atacar outras mulheres. As mulheres fecham-se em casa, choram horas ao telefone, vão para o cabeleireiro mudar a cor e o corte, gastam imenso dinheiro em merdas que nunca vão usar e dizem mal dos homens que as deixaram. É muito difícil ficar bem, depois do depois, quando tudo se acaba, porque afinal, o que fica quando acaba o amor?
Devia existir um manual de instruções para acabar relações. Porque começar é fácil. Acabar é que é o diabo.
Não há nada melhor do que começar uma relação. O novo é irresistível. Descobrem-se coincidências que vão desde o mesmo nome dado ao irmão imaginário até à mesma colecção de cromos. É a primeira vez em tudo. Descobrimos o outro em nós e nós no outro. Descobrimos que afinal gostamos de futebol, ou de tartarugas, desde que sejam as mesmas coisas de que o outro gosta. Ficamos mais vivos, mais atentos, mais interessantes. No início de todos os inícios sentimo-nos tão estupidamente felizes que seríamos capazes de morrer a seguir, porque achamos que atingimos o ponto máximo possível da felicidade. O amor é alimentado pela imaginação. Sentimo-nos mais altos, mais fortes e mais belos, mais inteligentes. E, consoante a idade e o que nos convém, mais velhos, ou então, muito mais novos.
O pior vem a seguir. Como dizia o Picasso: bom mesmo é o início, porque a seguir começa logo o fim. Esta frase é boa, não é?
E um dia, nem sempre de repente, fica tudo estragado. Acaba-se a festa, o delírio, o fogo-de-artifício, o sabor da novidade e onde vamos parar? Ao vazio. Ao abismo. Ao grande buraco negro dessa coisa horrível e inevitável que se chama depois, depois de se apagar a chama. E esta é a condição humana, doa a quem doer. Por estas e por outras é que não me apanham na merda do amor.
Claro que tudo tem o seu tempo e se há mesmo amor a chama pode durar seis meses, seis anos ou até sessenta, como às vezes se vê naquelas reportagens didácticas que as televisões adoram fazer no dia dos namorados. Mas vive-se com a estranha sensação de que isso só acontece aos outros. E quando chega a hora de acabar o que já acabou, como é que se faz?
(…) Os homens fogem à dor como sabem, isto é, da pior maneira, desatando a comer logo uma data de mulheres que não significam nada para eles e que são só para queimar. (…) É a estratégia FPF – fuga para a frente – típica do comportamento masculino. A das mulheres, embora menos arrojada mas mais patética, é muitas vezes a FPT – fuga para trás. Chegam ao pé do ex, agarram-se pelas orelhas como se fossem as pegas do guiador de uma bicicleta, sacodem-lhe os miolos e dizem: agora vais rebobinar a tua existência e vais-te apaixonar por mim outra vez porque ninguém te mandou desapaixonares-te. Eles pensam que elas enlouqueceram e pensam muito bem.”
I'm in love with a pop star de Margarida Rebelo Pinto
Já acabei de ler este livro e recomendo a adolescentes, especialmente do sexo feminino. Não é por nada em especial, só acho que rapazes não iriam achar lá muita piada como nós, raparigas, achamos.
3 comentários:
A qualidade dos textos da Margarida RP está a surpreender-me. Tinha uma má impressão dela que está a melhorar um pouco =)
Já me estás a deixar curiosa! Falas tanto desse livro *-* Tenho que ler :)
w-o-w. nem tenho palavras! vou mesmo ter que comprar esse livro.
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